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Empregadores reexaminam estratégias de bem-estar no ambiente de trabalho

Publicado dia 28/05/2024 às 18h40min
Executivos devem avaliar quais iniciativas realmente funcionam à medida que estresse e doenças continuam a aumentar


Alicia Clegg
Financial Times

Executivos das empresas estão começando a repensar sua abordagem aos programas de bem-estar dos funcionários, pois pesquisas sugerem que, apesar de bilhões de dólares serem gastos em tais iniciativas, muitos trabalhadores estão mais infelizes e menos saudáveis do que nunca.

Os gastos corporativos globais atingiram US$ 51 bilhões em 2022, com programas que variam entre workshops de plenitude mental, aconselhamento ou aplicativos de bem-estar, de acordo com o Global Wellness Institute, sediado nos Estados Unidos.

A empresa de pesquisa Gallup afirma, contudo, que níveis de estresse de funcionários no mundo todo atingiram uma alta histórica, com trabalhadores no leste da Ásia, incluindo a China, empatando com aqueles nos EUA e Canadá como os mais estressados de todos.

No Reino Unido, 10% dos trabalhadores —chegando a quase 15% dos abaicos de 30 anos— relataram estar deprimidos na pesquisa da Financial Times sobre saúde no ambiente de trabalho no país, representando um aumento de 43% desde 2016.

Os entrevistados relataram níveis quase recordes de falta por doença e improdutividade extrema. 15% disseram ter sofrido burnout, com 49% sofrendo de fadiga pelo menos uma vez por semana.

Alguns observadores atribuem esses números mais altos a uma maior conscientização sobre saúde mental e relatos sobre o assunto. Seja qual for o motivo, no entanto, o bem-estar dos funcionários agora é uma prioridade para muitas empresas —especialmente desde a pandemia de Covid-19.

O bem-estar pode ser avaliado através de fatores como satisfação no trabalho, senso de propósito e estresse. Os analistas observam que, apesar da pesquisa, efeito sobre se determinadas iniciativas do tipo podem melhorar local de trabalho muitas vezes pode não acompanhar a velocidade com que empresas as implementam.

"Há um aspecto comercial em tudo isso e muitas coisas estão sendo vendidas com uma base de evidências muito fraca ou nenhuma base de evidências", adverte Christian van Stolk, vice-presidente executivo da empresa de pesquisa Rand Europe.

Em uma pesquisa da Gartner, no ano passado, apenas 32% dos executivos de recursos humanos sentiram que sua organização estava fazendo um bom trabalho ao avaliar a eficácia das iniciativas de bem-estar.

"Os programas de bem-estar geralmente ajudam, se os funcionários os utilizarem, mas os líderes relatam dificuldades em medir como [eles estão ajudando]", diz Augustus Vickery, diretor da prática de RH da Gartner.

Outro problema é que "os funcionários não estão usando suporte de bem-estar oferecido", acrescenta —seja por opção de não usar ou não estão cientes de sua existência.

Efeitos positivos observados em programas piloto muitas vezes desaparecem quando um programa é lançado em "ambientes do mundo real", adverte William Fleming, pesquisador do Centro de Pesquisa de Bem-Estar da Universidade de Oxford.

Em estudo com a participação de 46 mil trabalhadores do Reino Unido, Fleming não encontrou diferença na saúde mental autorrelatada daqueles que participaram de programas de bem-estar e daqueles que não participaram.

Antes de fornecer soluções aos funcionários para gerenciar seu estresse, Fleming recomenda que os empregadores façam mais para abordar as formas que seus negócios podem estar causando estresse.

Uma pesquisa de 2022 da Deloitte, empresa de auditoria, com trabalhadores dos EUA descobriu que três fatores sistêmicos tiveram um "impacto desproporcional" no bem-estar: comportamento da liderança da empresa; design de trabalho; e práticas de trabalho organizacionais. Isso levou os pesquisadores a concluir que "benefícios e programas", sozinhos, alcançam pouco.

Da mesma forma, a pesquisa do Instituto de Pessoal e Desenvolvimento Chartered Institute of Personnel and Development do Reino Unido identificou uma forte associação entre má gestão e funcionários que relatam sentir-se altamente estressados ou um agravamento de sua saúde mental.

"Para acertar o bem-estar, em um nível fundamental, você não precisa só que a organização forneça recursos, mas também precisa de gerentes que saibam direcionar as pessoas para os recursos certos e como ajudá-las a ter boas vidas profissionais", diz Jim Harter, cientista-chefe de local de trabalho da Gallup.

Josh Krichefski, diretor executivo da agência de mídia GroupM e presidente do Reino Unido do Institute of Practitioners in Advertising, lançou recentemente um esquema de "insígnia de honra", com objetivo de apoiar a saúde mental dos funcionários de agências de publicidade.

"Se há algo com base em evidências e comprovado que tem um impacto negativo na saúde mental das pessoas, é uma cultura de trabalho tóxica", diz ele.

Jenn Barnett, chefe de inclusão, diversidade e bem-estar na empresa de contabilidade Grant Thornton, concorda que nutrir bem-estar envolve muito mais do que executar iniciativas.

"Acertar a cultura pode até significar mudar os critérios e métodos usados para selecionar gerentes. Nem todo mundo é um gerente de pessoas com as habilidades para gerenciar de forma solidária", observa.

Em última análise, a eficácia dos benefícios voltados ao bem-estar podem ser limitados se um empregador opera de uma maneira que deixa os trabalhadores sem tempo para família ou outras atividades não relacionadas ao trabalho conhecidas por proteger a saúde mental, por exemplo.

Muitos profissionais estão mais dispostos a discutir saúde mental, como resultado das experiências na pandemia, observa Elizabeth Rimmer, diretora executiva da LawCare, uma instituição de caridade de saúde mental sediada no Reino Unido para o setor jurídico.

Mas ela aponta para os estresses advindo da estrutura de remuneração da profissão. "É meio que o elefante na sala", diz ela.

"Os escritórios de advocacia recompensam as pessoas que excedem suas metas de faturamento. Estamos recompensando comportamentos que minam a saúde mental das pessoas, alimentando mais do mesmo."

Ainda assim, Augustus Vickery, diretor da prática de RH da Gartner, detecta uma crescente disposição por parte de algumas empresas de fazer a pergunta difícil: "O que realmente significa bem-estar no trabalho?" —e repensar práticas onerosas.

Ele cita um experimento na varejista estadunidense Gap, que foi destaque em saúde mental e bem-estar no local de trabalho de associação médica dos EUA em 2022. O experimento incluiu fornecer aos trabalhadores da loja horários previsíveis e a liberdade de trocar turnos sem aprovação gerencial.

No final, as lojas registraram aumento nas vendas, enquanto os trabalhadores relataram se sentirem melhor de várias maneiras —até mesmo com relação à qualidade do sono melhorada.

Jornal Folha de São Paulo

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

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