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Inflação detona 70% das ações na Bolsa (10/09/2021)

  • Cenário deixa claro que é importante ter uma carteira diversificada

    Na hora de comprar ações, é normal (e até recomendado) que o investidor olhe primeiro para aquelas que são mais negociadas, ou seja, têm maior liquidez. Desse jeito, fica mais fácil vender quando mudar de estratégia ou em casos de necessidade.

    Assim, o caminho tradicional do investidor brasileiro começa pelos papéis que compõem o Ibovespa, o principal indicador de desempenho das ações negociadas na B3, a Bolsa brasileira. O índice reúne as empresas consideradas as mais importantes do mercado.

    Montar a carteira de ações a partir do índice, no entanto, tem sido uma tarefa árdua para quem busca uma rentabilidade decente. Cerca de 70% das ações que compõem o Ibovespa tiveram rendimento abaixo da inflação neste ano.
    Para ser mais preciso, 63 dos 91 papéis que compõem o Ibovespa renderam menos do que 5,67% de janeiro até agora. Esse é o valor da inflação oficial no país, o IPCA.

    Pela projeção do mercado financeiro, até o fim do ano chegaremos ao patamar de inflação de 7,27%, o que é bem acima do tolerável, ou melhor, do teto da meta definida pelo Banco Central, de 5,25%.

    Não dá para dizer que a desvalorização é um “privilégio” do Ibovespa. O drama atinge a Bolsa como um todo. Das 204 ações que compõem o Ibra (índice que reúne 99% dos papéis mais negociados na Bolsa), 142 também tiveram desempenho abaixo do IPCA acumulado. Novamente, cerca de 70%.

    Mas não é só a alta inflação que dificulta o cenário para quem investe em papéis de empresas na Bolsa. A desídia nacional ao lidar com a pandemia e o constante desgaste da imagem do Brasil no exterior faz com que empresas que dependiam da retomada do consumo e da rotina registrem desempenhos pífios.

    As ações da Via, dona das Casas Bahia e do Ponto (antigo Ponto Frio), acumulam uma queda de 46% no ano. As da construtora Ez Tec caíram 43%. E a gigante da educação Cogna viu seus papéis despencarem 39%. Isso só em 2021, quando a pandemia há muito já havia deixado de ser um susto.

    É claro que quem investe em ações precisa saber que são investimentos de risco, o que significa que as chances de dar em água são maiores, mas os prêmios no caso de acerto também o são. O problema é que a probabilidade de ver seu dinheiro virar pó ficou muito alta.

    Da minoria dos papéis do Ibovespa que “sobrevivem” à inflação até o momento, quatro mais do que dobraram de preço desde o início do ano: Braskem, Embraer, Méliuz e Hering.

    O cenário se inverte quando olhamos para os BDRs (papéis emitidos no Brasil que representam outros, de empresas no exterior) negociados na Bolsa. Dentre os principais BDRs, que costumam seguir as cotações das ações no exterior, 31% tiveram uma valorização maior do que a inflação do período.

    Isso, por si só, já deixa claro como é necessário ter uma carteira de investimentos diversificada. Olhando um pouco além, é possível enxergar como a diversificação deve passar também por tipos de ativo.

    Quem comprou títulos de renda fixa atrelados ao IPCA lá em 2019 viu esses papéis perderem para o Ibovespa naquele ano, mas hoje deve estar feliz da vida com a escolha de se proteger parte do seu patrimônio da alta da inflação.

    Colocar tudo em papéis atrelados ao IPCA agora, no entanto, pode matar a oportunidade de surfar numa futura onda de valorização da Bolsa, depois das sucessivas quedas.

    Não importa se você acha que tem pouco dinheiro para investir. É urgente fazer uma carteira diversificada e se proteger das crises, já que elas dificilmente afetam todos os mercados ao mesmo tempo. CDBs, LCAs, CRIs, CRAs, BDRs, FIIs, Tesouro Direto, ações... Não faltam opções.

    Opinião Folha de São Paulo

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